Delação da JBS repercute em Plenário

Em 22/05/2017
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A citação ao governador de Pernambuco, Paulo Câmara, e ao prefeito do Recife, Geraldo Júlio, ambos do PSB, na delação premiada do Grupo JBS à Operação Lava-Jato mobilizou as bancadas do Governo e da Oposição na Reunião Plenária dessa segunda.

O líder dos oposicionistas, Sílvio Costa Filho, do PRB, afirmou que o bloco não vai pedir as saídas do prefeito do Recife e do governador. Mas ele questionou se de fato ocorreu o encontro entre Geraldo Júlio e Paulo Câmara com os representantes da JBS.

“Eu não quero, senhor presidente, fazer pré-julgamentos. A bancada da Oposição não vai pedir nenhum impeachment do governador Paulo Câmara. Não vai pedir renúncia, como foi pedido por vários agentes públicos do PSB em relação ao presidente Temer. Eu queria uma indagação do governador e de sua excelência, prefeito Geraldo Júlio, se houve ou não essa reunião com o delator.”

Joel da Harpa, do PTN, se alinhou a Sílvio Costa Filho e destacou a necessidade de debater a delação dos executivos da JBS no Plenário da Alepe.

No lado da Situação, o vice-líder do Governo, Tony Gel, do PMDB, confirmou o encontro entre Geraldo Júlio, Paulo Câmara e o executivo da JBS. Mas ressaltou que nenhum repasse foi feito para a campanha do PSB em Pernambuco.

“O governador Paulo Câmara esteve acompanhado do prefeito Geraldo Júlio, esteve em contato com um dos representantes da empresa e pediu apoio para a campanha, que fizesse doação, obviamente dentro da lei. No caso aqui do governador Paulo Câmara, no caso do prefeito Geraldo Júlio, eles foram, foram buscar o apoio e não o tiveram. Resposta do representante da empresa: nós já estamos comprometidos com a campanha nacional e não temos como assumir mais nenhum compromisso.”

Uniram-se à defesa do vice-líder do Governo os deputados Lucas Ramos, do PSB, e Rodrigo Novaes, do PSD. Ramos ressaltou que a JBS fez uma doação ao PSB nacional, mas que o recurso não foi distribuído ao diretório do partido em Pernambuco. Já Novaes criticou o uso do termo propina na delação do executivo da JBS, uma vez que nada foi oferecido em troca.

Ainda à respeito das delações da JBS, Antônio Moraes, do PSDB, criticou a Justiça brasileira por não ter prendido os donos da empresa.

“Em nenhum momento nenhum dos dois irmãos proprietários da empresa foram presos. Pelo contrário, tiveram autorização para viajar aos Estados Unidos e vão simplesmente morar na Quinta Avenida, em Nova York, um dos endereços mais caros daquele país”.

Terezinha Nunes, também do PSDB, acompanhou a crítica do colega de partido. Para a parlamentar, o acordo entre a Justiça e a JBS pode desmoralizar a Operação Lava-Jato. Eduíno Brito, do PP, cobrou do Poder Judiciário mais atenção ao interesse público quando negociar delações premiadas.

Em resposta a Antônio Moraes, Odacy Amorim, do PT, criticou os deputados do PSDB por tentarem atribuir a crise atual ao ex-presidente Lula. Em referência ao afastamento do senador tucano e ex-candidato à Presidência Aécio Neves, Odacy afirmou que todas as denúncias devem ser investigadas.

“Não é possível  que se queira vir justificar um episódio lamentável que está acontecendo no Brasil, querendo colocar essa conta no colo de Lula, por exemplo. O PT está sendo investigado a fundo,  e acho que deve ser investigado. Só não pode é ter uma investigação direcionada apenas para um partido.”